O que é o ''chiripá''?
O chiripá, peça tradicional da indumentária gaúcha até meados do Século XIX, tem dois “modelos” diferentes, cada um condizendo com as necessidades do homem do campo do Rio Grande do Sul. Uma vez que a história socioeconômica do Rio Grande do Sul, da Argentina e do Uruguai se desenvolveu de maneira semelhante, é possível encontrar o registro do uso do chiripá nessas três regiões.
O primeiro tipo é o chamado primitivo, e foi introduzido no cotidiano do gaúcho pela cultura indígena. Já o segundo é o chamado chiripá farroupilha, tendo em vista que teve amplo uso durante a Revolução Farroupilha.
O que é ''pampa"?
Pampa (nome de origem quechua), Campos do Sul ou Campos Sulinos, são termos genericamente dados à região pastoril de planícies com coxilhas. Abrange a metade meridional do estado brasileiro do Rio Grande do Sul, ocupando cerca de 63% do território gaúcho, se estendem pelos territórios do Uruguai e pelas províncias argentinas de Buenos Aires, La Pampa, Santa Fé, Entre Ríos e Corrientes. No Brasil o Pampa também é conhecido como Campos do Sul, Campos Sulinos ou Campanha Gaúcha.
Chimarrão e sua Origem
Mate amargo (sem açúcar) que se toma numa cuia de porongo por uma bomba de metal. Atribuem-se ao chimarrão propriedades desintoxicantes, particularmente eficazes numa alimentação rica em carnes.
A tradição do chimarrão é antiga. Soldados espanhóis aportaram em Cuba, foram ao México "capturar" os conhecimentos das civilizações Maia e Azteca, e em 1536 chegaram à foz do Rio Paraguay. No local, impressionados com a fertilidade da terra às margens do rio, fundaram a primeira cidade da América Latina, Assunción del Paraguay.
Os desbravadores, nômades por natureza, com saudades de casa e longe de suas mulheres, estavam acostumados a grandes "borracheras" - porres memoráveis que muitas vezes duravam a noite toda. No dia seguinte, acordavam com uma ressaca proporcional. Os soldados observaram que tomando o estranho chá de ervas utilizado pelos índios Guarany, o dia seguinte ficava bem melhor e a ressaca sumia por completo. Assim, o chimarrão começou a ser transportado pelo Rio Grande na garupa dos soldados espanhóis.
As margens do Rio Paraguay guardavam uma floresta de taquaras, que eram cortadas pelos soldados na forma de copo. A bomba de chimarrão que se conhece hoje também era feita com um pequeno cano dessas taquaras, com alguns furos na parte inferior e aberta em cima.
O comerciante Rômulo Antônio, dono da Casa do Chimarrão, em Passo Fundo, há mais de 20 anos, explica que os paraguaios tomam chimarrão em qualquer tipo de cuia. "Até em copo de geléia", diz. São os únicos que também têm por tradição tomar o chimarrão frio... O "tererê" paraguaio pode ser tomado com gelo e limão, ou utilizando suco de laranja e limonada no lugar da água.
Antônio explica outras diferenças. Na Argentina e no Uruguai a erva é triturada, ao contrário do Brasil, onde é socada. Nos países do Prata, a erva é mais forte, amarga, recomendada para quem sofre de problemas no fígado.
Origem de Algumas palavras Gaúchas:
Abichornado – crioulo – acovardado, apequenado.
Afeitar – espanhol – fazer a barba
Âiga-te (âigale-te) – espanhol – interjeição de surpresa que enaltece o que foi ouvido; âigate.
A la pucha (a la putcha) – espanhol – interjeição de surpresa que enaltece o que foi ouvido; âigate. Alcaide – provavelmente espanhol, pois tem significado muito oposto do homônimo português, oriundo do árabe – cavalo velho, ruim inútil; serve para pessoas também.
Andar a/pelo cabresto – português – o mesmo termo que designa a condução do animal, indica que alguém está sendo conduzido por outro.
Andar de rédea solta – português – também se referindo a pessoas, significa que alguém não sofre controle estrito de nada nem ninguém; um momento de folga.
Bagual – crioulo – cavalo que não foi castrado; homem.
Balaquear – crioulo – gabar-se, mentir, conversar fiado; vanguardar-se.
Barbaridade – português – barbarismo. Tanto adjetiva como pode ser uma interjeição de espanto.
Bate-coxa – português – baile, dança.
Bombacha – espanhol platino – peça (calça) que caracteriza a indumentária gaúcha. Tem origem turca e foi introduzida na América pelos comerciantes ingleses, de presença marcante no pampa platino.
Buenacho – espanhol – muito bom, excelente; bondoso, cavalheiro.
Campanha – português – planície rio-grandense; pampa.
Capilé – francês – refresco de verão, feita com um pouco de vinho tinto, água e muito açúcar.
Castelhano – espanhol – indivíduo oriundo de Uruguai ou Argentino
Cevador – português – pessoa que prepara o chimarrão e o distribui entre os que estão tomando.
Charque – espanhol platino – carne de gado, salgada em mantas.
Chasque – quíchua – mensageiro, estafeta.
Chiru (xiru) – tupi – índio velho, indivíduo de raça cabocla.
Chucro (xucro) – quíchua – animal arisco, nunca domado; pessoa de mesmo temperamento ou sem empirismo, inexperiente.
Cusco – espanhol platino, provavelmente já emprestado do quíchua – cachorro pequeno e de raça ordinária (ou sem); guaipeca.
De orelha em pé – português – da mesma forma que o animal de sobreaviso ergue as orelhas, tal supõe-se faça o homem.
Engasga-gato – português – ensopado feito com pedaços de charque da manta da barrigueira.
Garupa – francês - A parte superior do corpo das cavalgaduras que se estende do lombo aos quartos traseiros; também usado para definir a mesma área no corpo humano.
Gaúcho – origem desconhecida – termo, inicialmente, utilizado de forma pejorativa para descrever a cruza ibero-indígena, hoje é o gentílico de quem nasce no estado do Rio Grande do Sul.
Gauchada – crioulo – grande número de gaúchos; façanha típica de gaúcho, cometimento, muito arriscado, proeza no serviço campeiro, ação nobre, impressionante.
Gauderiar – espanhol platino – vagabundear, andar errante, sem ocupação séria; haragano.
Gaudério – espanhol platino – vagabundo, desocupado, nômade. Atualmente, é uma referência estadual ao povo da campanha, simplesmente, como gaúcho.
Guaiaca – quíchua – invenção gauchesca que se usa sobre o “cinturão europeu”. Significa bolsa em sua língua original.
Guaipeca – tupi – cachorro pequeno e de raça ordinária (ou sem), cusco.
Guri – tupi – criança, menino; serviçais que faziam trabalho leve nas estâncias.
Haragano – espanhol – Nômade, renitente; cavalo que dificilmente se deixa agarrar.
Japiraca – tupi – mulher de temperamento irascível, insuportável.
Jururu – tupi – triste, cabisbaixo, pensativo.
Macanudo – indicado como sendo espanhol platino – bom, superior, poderoso, forte, inteligente, belo rico, respeitável; um adjetivo positivo de uso genérico.
Mate – quíchua – bebida preparada em um porongo, com erva-mate e água quente; chimarrão.
Minuano – indicado como sendo espanhol platino – vento andino, frio e seco, que sopra do sudoeste no inverno.
Morocha – espanhol platino – moça morena, mestiça, mulata; rapariga de campanha.
Nativismo – português – amor pelo chão onde se nasce e sua tradição.
Orelhano (aurelhano) – espanhol platino – animal sem marca nem sinal; também serve para pessoas.
Pago – espanhol/português – lugar onde se nasceu. Como o gaúcho original era um nativo descendente de imigrantes e não pretendia deixar seu solo em hipótese alguma, o termo também designa, genericamente, a região da Campanha.
Pampa – quíchua – vastas planícies do Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, coberta de excelentes pastagens que servem para criação de gado. Em quíchua, “pampa” significa “planície”.
Paisano – português/espanhol – patrício, amigo, camarada; camponês e não-militares.
Pêlo duro – espanhol – crioulo, genuinamente rio-grandense; também significa pessoa ou animal sem estirpe.
Poncho – origem incerta, araucano ou espanhol – espécie de capa de pano de lã de forma retangular, ovalada ou redonda, com uma abertura no centro, para a passagem da cabeça.
Puchero (putchero) – espanhol – sopão com muito vegetal e carne de peito, sem tutano e sem pirão.
Querência – espanhol – o lugar onde se vive. Derivado de “querer”, caracteriza o amor que o gaúcho tem pela sua terra.
Tapejara – tupi – vaqueano, guia ou prático dos caminhos; gaúcho perito, conhecedor da região.
Tchê – provavelmente espanhol – termo vocativo pelo qual se tratam os gaúchos. É o mesmo “che” (‘txê’) do espanhol, que se consagrou com Ernesto Guevara, o “Che”.
Topete – português/espanhol – audácia, arrogância, atrevimento; saliência da erva-mate que fica fora d’água na cuia de chimarrão.
Tropeiro – português/espanhol – condutor de tropas, de gado.
Danças gaúchas, quais são elas:
Bugio
Chamamé
Chamarra/Chimarrita
Chote
Contrapasso
Marcha
Mazurca
Milonga
Ploca
Polonaise
Rancheira
Tango
Terol
Valsa
Vaneira/Vaneirinha ou Vaneirão
Chamamé
Chamarra/Chimarrita
Chote
Contrapasso
Marcha
Mazurca
Milonga
Ploca
Polonaise
Rancheira
Tango
Terol
Valsa
Vaneira/Vaneirinha ou Vaneirão
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